Noivas extremamente online
Ou o casamento como projeto de conteúdo. E mais: quais são os perfumes preferidos de quem trabalha na ELLE e o que a nossa editora de consumo mais amou em julho.
Bom dia, ctrl+ellers! Como vocês estão? Mais 28 dias passaram voando e cá estamos na última newsletter do mês novamente. Não parece que eu acabei de escrever essa frase, na edição dos óculos inteligentes? Enfim… Hoje vamos discutir uma matéria da ELLE View sobre casamentos gigantes, vou revelar os perfumes que a redação da ELLE ama e a Chantal, nossa editora de consumo, vai compartilhar seus favoritos de julho.
Da minha parte, fui ao show do Harry Styles com o Pedro na sexta, e passei boa parte do meu sábado assistindo entrevistas dele contando sobre o período de mais ou menos dois anos que passou “desconectado” morando na Itália. Fiquei pensando que gostaria de fazer o mesmo, obviamente pela parte de ter dinheiro para "poder morar em qualquer lugar que me desse na telha a qualquer momento”, mas principalmente pelas descrições de cidades tão propícias para andar que ele descreve. Cidades em que caminhar, sentar ao ar livre em um banco e ficar lá espairecendo por um tempo parece fazer sentido. Como dá pra perceber, moro em São Paulo (mas vi que a Penha Maia, ao falar sobre o desfile que fez ontem no Viaduto Santa Ifigênia, disse que era pra gente levar nossa própria cadeira pra praça se não tiver uma. Gostei da imagem e aceito outras dicas nos comentários de como vocês gostam de ocupar a cidade).
Eu e o Pedro também ficamos meio obcecados pelas meninas no palco e pelo look preto com detalhes em rosa e vermelho que o Harry estava usando junto com um sapatinho branco Celine — uma mistura de sapatilha de jazz com botas de boxeadores com uma sola bem fina, que é uma das principais tendências de sapatos de 2026. É o tipo de sapato que parece chamar você para dançar, sentir o chão onde pisa, sair pulando por aí. Ps.: e se você fica em dúvida sobre o sapato branco, aqui temos algumas dicas para inclui-lo na sua vida.
Agora sim, aos assuntos de hoje:
O casamento grandioso volta à cena
Casamentos são um prato cheio para a lógica do TikTok, que foi capaz de transformar os mínimos detalhes da festa de dois desconhecidos em entretenimento de massa. Você acompanha discussões sobre disposição das mesas como se fizesse parte da equipe de organização e, inevitavelmente, começa a imaginar o que faria se fosse você ali. Me parece uma relação bem diferente daquela que tínhamos com os casamentos das celebridades de outrora, quando se inspirar era algo mais amplo, talvez numa silhueta de um vestido, mas não necessariamente no pequeno objeto que será utilizado para reservar os lugares dos convidados nas mesas.
Pós-pandemia, casamentos grandiosos estão de volta, mas hoje sua repercussão traz nuances próprias e é sobre elas que esta ótima matéria da ELLE View se debruça. Entrevistando estilistas e assessorias especializadas, a jornalista Juliana Franco refletiu sobre como muitas celebrações viraram uma narrativa de marca desenhada para o engajamento, com noivas explorando múltiplos looks e “bridal eras”.
“Hoje, as mulheres se permitem sonhos infinitamente mais ousados”, comentou a assessora Georgia Nog, fundadora da Toda de Branco, à reportagem. Ainda que os recursos financeiros sejam menores, eventos como o de Elisa Zarzur e Alexandre Negrão, em junho, viram fonte infinita de referências. “Se antes a protagonista do dia se inspirava na prima ou na amiga de escola, hoje ela se compara com uma celebridade ou com a filha de um bilionário que selou a união do outro lado do mundo, e conclui que aquilo também funciona para ela”, aponta.
Se você acompanha o universo de casamentos no TikTok (é meio fascinante), vai perceber que independentemente do orçamento, o casamento passou a ser menos visto como uma festa e mais como um projeto, que inclui moodboards, profissionais de foto, maquiagem, assessoria e, dependendo do dinheiro disponível, pode ainda abarcar stylists, direção de arte, equipes de conteúdo e, não raro, uma agência de relações públicas cuidando da narrativa. “É como uma campanha publicitária”, resumiu a estilista Emannuelle Junqueira.
Se cada detalhe da festa precisa dizer algo, imagine o papel do vestido, que está grudado à noiva. A matéria revela que ele chega a ocupar 40% do orçamento, e pode ter toda aquela lista de profissionais descrita acima duplicada só para ele. “Eu, que sempre coloquei a veste da noiva na planilha de orçamento, de cinco anos para cá, não faço mais isso. Virou um projeto à parte”, disse Georgia.

Lendo o texto, me chamou atenção a palavra protagonista e todo esse gerenciamento de expectativas e fornecedores que comumente rodeia a noiva. Menos famoso do que os que abrem a coleção, o último ensaio do livro Falso Espelho, da Jia Tolentino, investiga esse assunto, em especial em casamentos heterossexuais. Ele foi lançado há sete anos, pré-pandemia, e as coisas escalaram significativamente desde então, mas sempre que entro no vórtex de posts de casamento, me lembro das palavras de “Com temor, eu te desposo”:
“Parece um truque, um truque que funcionou e ainda funciona, o fato de que a noiva continua sendo a mais amplamente celebrada imagem de feminilidade — e que o planejamento de um casamento seja o único período da vida de uma mulher em que ela é incondicionalmente encorajada a conduzir tudo da maneira como ela deseja. Aqui, diz nossa cultura, está um evento que a colocará no centro de tudo — que cristalizará sua imagem no momento em que você é jovem e linda, admirada e amada, com o mundo inteiro se desenrolando à sua frente como um prado sem fim, um tapete vermelho felpudo […] O paradoxo central do casamento vem das duas versões de mulher que ele evoca. Há a noiva glorificada, imponente, resplandecente e quase monstruosamente poderosa, e sua gêmea oposta silenciada, a mulher que desaparece sob o véu.”
Sempre achei fascinante essa imagem da mulher que é finalmente ouvida nos preparativos do casamento, uma posição ao mesmo tempo poderosa, exaustiva e de certa forma condescendente. Não é à toa que tanta expectativa concentrada nesse período tenha dado origem a figuras como a bridezilla, uma ideia que só ganhou mais força com as redes sociais.
Reli o texto da Jia depois de ler a matéria da ELLE View (e, se você tiver o livro em casa, aconselho fazer o mesmo, nessa ordem) e fiquei me perguntando se essa escalada de performance e de tarefas que hoje envolve um casamento é fruto de uma geração de noivas extremamente online, que se inspiram no TikTok e retroalimentam esse ciclo ao produzir cada vez mais conteúdo. Ou se, como escreveu uma leitora no nosso post do Instagram, "No mundo real, casamentos seguem sendo sobre família, amigos próximos e vestidos inspirados na bisa ou na mãe." Qual é a percepção de vocês? Vamos conversar nos comentários?
Os favs da Chants
Se você está chegando agora, toda última newsletter do mês nossa editora de consumo Chantal Sordi aparece por aqui contando quais foram os produtos e moods que fizeram sua cabeça. Em julho, o assunto é alta-costura, Mônaco e bons achados.
1. Obsessão do mês: Mônaco. Fui ao principado para cobrir o Baile da Cruz Vermelha e acabei voltando meio obcecada. A pauta era o evento, mas passei os dias prestando atenção em tudo: os hotéis, as paisagens, os restaurantes, as pessoas e os pequenos detalhes que fazem um lugar criar personalidade. Quero muito voltar.
2. Vale prestar atenção: na sandália Oran, da Hermès. Nunca vi tantas reunidas no mesmo lugar quanto em Monte Carlo. Estava nos pés de mulheres e homens de diferentes idades e estilos, praticamente um uniforme da região, uma espécie de Havaianas local.
3. Fui influenciada: Clarins. Um dos compromissos da viagem foi conhecer o spa da marca no Monte-Carlo Bay Hotel. Voltei com alguns produtos para testar, mas quem roubou a cena foram os cremes da Precious, linha de skincare de luxo da casa. As embalagens são tão bonitas que parecem pequenas esculturas. Dá até dó de usar.
4. Culpa de alguém na redação: dar um zoom nos acessórios de alta-costura da Dior. Inspirado pelas esculturas orgânicas de Lynda Benglis, Jonathan Anderson transformou as bolsas da coleção em flores, tatus e outras formas inesperadas, executadas com um nível de artesanato impressionante.
5. Estou de olho em: @yar.atelier. O bracelete que usei no Baile da Cruz Vermelha de Mônaco era da marca brasileira, apresentada pela stylist Yumi Kurita. Desde então, ela entrou no meu radar pelas joias autorais de metal, marcadas por volumes, formas orgânicas e uma estética que flerta com a escultura.
6. Entre tantas collabs: Converse x Collina Strada. Em tempos de acessórios cada vez mais lúdicos e impactantes, faz sentido ver a estilista Hillary Taymour transformar o clássico Chuck 70 em uma tela para jacquards, cristais, charms e estampas. Depois de passar pela Semana de Moda de Nova York, a colaboração chegou este mês ao Brasil, para a alegria dos fãs.
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O cheirinho da nossa redação
Em março, sete integrantes da nossa equipe revelaram seus perfumes preferidos no site e achei que a matéria era tão a cara da Ctrl+ELLE que resolvi trazer um pedacinho para cá. Caso você esteja em busca de uma nova fragrância para experimentar ou, depois de ler tanto sobre o nosso escritório, tenha curiosidade de saber quais são os aromas que sentimos ao trabalhar de lá, aí vai a seleção:
Pedro Camargo, editor de beleza: Eros Energy, Versace / 2.10, Amyi / Ombré Leather, Tom Ford / 010, Lenvie
“Amo perfumes ou muito cítricos e abertos, ou muito densos e fechadões. Tanto o Eros Energy quanto o 2.10 são explosões cítricas, superotimistas, que me ajudam a dar um mood mais legal para o dia. O Ombré Leather e o 010 gosto de usar à noite: o primeiro para quando eu quero lacrar com força; o segundo, para quando eu quero uma lacrada soft.”
Bárbara Rossi, editora-assistente de beleza: Flora Gourgeus Jasmine, Gucci
“Memórias olfativas têm um grande impacto em mim, e o jasmim ocupa um lugar especial no meu coração. Quando senti essa fragrância da Gucci pela primeira vez, fui tomada por uma sensação nostálgica arrebatadora. Também ajuda o fato de o frasco ter essa pegada vintage que tem tudo a ver comigo. É, com certeza, o meu perfume favorito da minha coleção — que não é pequena, confesso.”
Giuliana Mesquita, editora-assistente de moda: Black Pepper, Comme des Garçon
“Eu amo o Black Pepper porque, para mim, é uma fragrância muito diferente de tudo que existe por aí. Fresco e com fundo amadeirado, ele é uma delicinha! Além disso, os perfumes da marca grudam na pele por horas!”
Ana Cardoso, editora-assistente da ELLE Decoration Brasil: Grapefruit, Jo Malone / Chance, Chanel
“Eu costumo ter dois perfumes: um para dias mais quentes e úmidos e outro para dias mais frescos. O primeiro, para o calor, é o Grapefruit, da Jo Malone, que é cítrico, lembra uma tangerina amarga e tem uma nota de musgo, que combina com o clima. O outro é o Chance, da Chanel, que é versátil e com boa fixação.”
Para mais indicações, incluindo a do nosso diretor de moda, a matéria completa está aqui. E me contem também nos comentários se vocês têm rotação de perfumes ou são fiéis a um só. Eu mesma não tenho um preferido, (na verdade, quase não uso perfume 😬) e estou sempre em busca de algo que me arrebate para mudar esse hábito.
Mais alguma coisa?
→ Sim, queremos o seu 🫵 voto no EDIDA BR! Os 45 finalistas da nossa premiação que elege os principais lançamentos do mercado de design brasileiro, entre sofás, bancos, estantes, mesas e objetos de decoração, já foram definidos e serão avaliados por um júri de peso. Mas temos também uma votação popular aberta até dia 21/8. Participe aqui e aproveite para conhecer um monte de boas novidades.
→ Lembra que na edição passada eu estava fascinada pelas maquiagens que a Zendaya usou enquanto divulgava A Odisséia? Nossa equipe de beleza foi atrás e encontrou o tutorial completo para alcançar o visual mais falado da turnê.
→ Falando em casamentos, Isabela Capeto comentou sobre o vestido de noiva vermelho que criou para sua filha, Chica Capeto. Assista a dupla explicando de onde veio a inspiração do modelo e da cor neste vídeo exclusivo.
E é isso! Obrigada por chegar até aqui. O link final de hoje é uma listona com velas para perfumar e decorar sua casa. Sei que quem gosta está sempre em busca de novas, então nossa equipe separou 12 opções! Até segunda que vem :)





Quero dar pitaco tb sobre perfumes. Passei mais de 30 anos sem usar pq achava tudo muito forte e enjoativo. Hoje gosto muito de alguns. O Sun Song da Vuitton é uma delícia pro verão. Da Chanel fico com três que adoro: o Paris-Biarritz, o Beige e o Paris-Paris. Recentemente descobri o Eden-Roc, da Dior e caí de amores. Para a noite o Parade, da Celine ou, no inverno, o La Panthère, da Cartier (me sinto uma madame rica de Paris)
Nunca tinha pensado nos casamentos atuais sob essa ótica! Adorei a discussão e fiquei querendo ler o livro da Jia. Concordei muito com a reflexão dela.